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Redes sociais podem ser um gatilho para distúrbios alimentares na adolescência

Pesquisa inédita no Brasil revela que o acesso constante ao Facebook e Instagram aumenta a insatisfação com o corpo

Dietas milagrosas e a imposição de um peso corporal nem sempre adequado à realidade mostrada nas redes sociais estão aumentando a insatisfação das adolescentes com seus corpos. Isso é o que revela a pesquisa Uso de redes sociais, influência da mídia e insatisfação com a imagem corporal de adolescentes brasileiras, a primeira nessa área realizada no Brasil pela nutricionista Ariana Galhardi. Foram entrevistadas 212 meninas, entre 10 e 19 anos, de escola pública e de uma organização não governamental da capital paulista e do interior de São Paulo. Os resultados apontam que as adolescentes conectadas às redes sociais com mais frequência - acima de dez acessos por dia - têm mais chances de ficarem insatisfeitas em cerca de 6,5 vezes para o Facebook e 4,5 para o Instragram, em comparação com as que acessam mensalmente.

Para Ariana, as mídias podem ser um gatilho para distúrbios alimentares. “Há um excesso de narcisismo que a mídia social traz e que pode levar à insatisfação ou a doenças como anorexia e bulimia. Mais de 80% das adolescentes entrevistadas estão insatisfeitas com o corpo, apesar de estarem com o peso normal. Elas desejam atingir um perfil de corpo como os apresentados pelas mídias, que costumam utilizar editores de imagem e não revelam a realidade”, alerta.

Segundo a nutricionista, a mídia pode ser uma boa fonte de informações, desde que se faça uma avaliação crítica. “Para saber se a informação é válida, é importante que elas busquem outras fontes e, antes de seguir alguma recomendação, é essencial procurar orientação especializada”, considera.

Força, foco e fé para emagrecer

Na pesquisa, foi perguntado às adolescentes se concordavam que para emagrecer é necessário ter força, foco e fé. Cerca de 70% responderam que sim. De acordo com Ariana, acreditar somente nesse conceito pode levar a uma frustração ainda maior caso não seja obtido o resultado esperado. Para chegar ao peso desejado, é importante uma avaliação mais ampla. “Analisamos a estrutura do corpo, as questões sociais e culturais, o acesso à renda, a possibilidade de se exercitar e outros fatores para verificar a real necessidade da perda de peso. É preciso orientá-las para que sejam mais generosas consigo, sem a imposição de um padrão tão difícil de atingir”, ressalta.

Texto da edição nº 15 da Revista CRN3, para conferir na íntegra, acesse: https://goo.gl/WVB4ho