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O TND e a luta pela promoção da saúde

Técnico em nutrição e dietética trabalha em parceria com nutricionista pelo bem-estar da população

Comemorado em 27 de junho, o Dia do Técnico em Nutrição e Dietética (TND) celebra a criação do Decreto nº 38.643/61, que regulamenta a criação dos cursos técnicos da área. Em seu exercício profissional, o TND é responsável pelas etapas do processo produtivo, que envolve compra, transporte, seleção, estocagem, preparo e distribuição de alimentos. Assim como o cuidado com a segurança da qualidade alimentar, tanto em âmbito individual quanto na alimentação coletiva. É ele também que capacita os envolvidos na manipulação dos produtos à disposição do consumidor em pontos comerciais.

Maria de Lourdes Sousa, presidente do Sintenutri (Sindicato dos Técnicos em Nutrição do Estado de São Paulo), diz que o TND é o profissional de saúde que trabalha em parceria com o nutricionista. “Ele também acompanha e orienta os procedimentos culinários de pré-preparo e preparo de refeições e alimentos, obedecendo às normas sanitárias vigentes. Participa de programas de educação alimentar para a clientela atendida, conforme planejamento previamente estabelecido pelo nutricionista, entre outras”, acrescenta.

O suporte técnico é fundamental, por exemplo, para que o nutricionista responsável técnico (RT) atue na plenitude de suas atribuições privativas. Assim, ambos os profissionais valorizam a área de atuação e beneficiam o grupo de pessoas atendidas.

A Aspirante a oficial do Exército, Juliane Hipólito, 30 anos, começou a sua carreira na Prefeitura de São Paulo. “Me formei como técnica em nutrição em dezembro de 2010, com 24 anos. A minha primeira experiência na área da nutrição aconteceu em abril de 2011, um estágio extracurricular na Merenda Escolar da Prefeitura de São Paulo”, lembra Juliane. “Estava no primeiro semestre da faculdade e, por ser técnica em nutrição, tinha autorização para estagiar, então realizava visitas às unidades (escolas, EMEIs e creches) para supervisionar e orientar o trabalho das equipes responsáveis pela cozinha, estoque e refeitório destas unidades”.

Como técnica em nutrição, atuou inicialmente em uma empresa de alimentação coletiva na área de processamento de carnes. “O setor não tinha nutricionista, eu era a responsável pela aquisição e recebimento da matéria-prima, controle de qualidade, treinamento de funcionários, e toda a parte da rotina administrativa e de RH”, explica. A companhia processava cinco toneladas de carne (bovino, aves, suíno e miúdos) por dia, e encaminhava para cerca de 50 unidades que produziam de 100 até 12.000 refeições diárias.

“Tinha sob minha responsabilidade 25 funcionários, todos do sexo masculino e com no mínimo dez anos de empresa. Meu salário era inferior ao de todos os meus funcionários, era meu primeiro emprego na área e eu ficava disponível 24 horas por dia via rádio para todas as unidades”, revela. “Porém, a experiência ímpar que tive em relação a administração, gestão de pessoas e conhecimento técnico na área de alimentos de origem animal foi única”, comemora.

A segunda experiência veio na atuação em auditoria e consultoria em restaurantes de alta gastronomia da cidade de São Paulo. “Eu visitava esses restaurantes pelo menos duas vezes por semana para supervisionar e orientar todo o processo de recebimento, armazenamento, pré-preparo, preparo e distribuição dos alimentos, produzia relatórios dessas visitas, realizava auditorias, aplicava treinamentos aos funcionários e elaborava POPs e fichas técnicas das preparações produzidas”, detalha Juliane. Segundo conta, o desafio era conciliar as técnicas da alta gastronomia com os procedimentos operacionais padronizados, baseados na legislação.

Em 2014, prestou concurso do Exército Brasileiro para o cargo de sargento temporário técnico em nutrição. Foi aprovada e lotada no Comando Militar do Sudeste, no Ibirapuera, região central da cidade de São Paulo. “Fui trabalhar no aprovisionamento, que é a seção responsável pela alimentação dos militares. Lá desempenhei todas as atividades de um Técnico na UAN: aquisição, recebimento, elaboração de fichas técnicas, controle de qualidade, treinamento para os militares que eram os manipuladores de alimentos. Meu trabalho como técnica era muito valorizado pelo aprovisionador e pelos demais militares daquele quartel”, relata.

Em 2017, já formada em Nutrição e cursando especialização em Nutrição Clínica, o Exército abriu novamente um concurso para nutricionista no Hospital Militar de Área de São Paulo (HMASP), em que foi novamente aprovada. “Dei baixa do Exército como sargento e fui incorporada novamente como aspirante a oficial temporário nutricionista. Nunca imaginei que a Nutrição e o curso técnico me levariam até onde cheguei”, encerra.